História

Das origens à atualidade

A história da Freguesia de Campo é feita de trabalho, tradição e progresso, refletindo a força e o espírito da sua população ao longo dos séculos.

Origens e Primeiras Referências

A atual freguesia de Campo, outrora designada S. Martinho do Campo, possui uma história com mais de doze séculos. A sua existência encontra-se documentada já no ano de 797, num registo que menciona a doação de várias igrejas ao Mosteiro de Laura, entre elas a de S. Martinho de Valongo. Esta referência comprova a importância religiosa e administrativa do território desde tempos muito recuados.

O nome “S. Martinho do Campo" surge novamente nas Inquirições de 1258, importantes documentos medievais que retratam a organização territorial do reino. Ao longo dos séculos, a designação foi sendo simplificada para apenas “Campo", nome pelo qual hoje é conhecida. Alguns autores defendem que a origem do topónimo poderá ser celta, hipótese reforçada pela antiguidade do povoamento local e pela forte presença de comunidades pré-romanas na região.

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Presença Antiga: Celtas, Romanos e Árabes

A história de Campo está profundamente ligada à exploração das riquezas naturais do seu solo e subsolo. Antes da romanização, terão sido os povos celtas a iniciar a exploração mineira, aproveitando os recursos minerais abundantes na região.

Com a chegada dos Romanos, este território ganhou ainda maior relevância estratégica e económica. A proximidade ao rio Douro e a existência de vias de comunicação facilitaram o transporte de minérios, nomeadamente ouro e outros metais preciosos. Vestígios dessa presença permanecem até aos nossos dias, como a Necrópole Romana da Corredoura, utilizada entre os séculos III e IV, bem como antigos fojos mineiros nas serras de Pias e do Raio.

A passagem romana deixou também marcas na toponímia local, como o lugar de Milharia, que recorda a existência de marcos miliários indicativos das distâncias nas antigas vias romanas. Após o período romano, a ocupação árabe prolongou-se até ao século XI, altura em que a reconquista cristã redefiniu a organização política e administrativa da região.

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Idade Média e Organização Administrativa

Durante a Idade Média, Campo integrou o antigo Concelho ou Julgado de Aguiar de Sousa. Destaca-se a existência do Couto de Luriz, concedido por D. Afonso Henriques ao Bispo do Porto, território que dispunha de autonomia administrativa e judicial própria. O tribunal local situava-se junto à Ponte de Luriz, testemunhando a importância institucional da freguesia naquele período.

Segundo a Corografia Moderna do Reino de Portugal (1875), Campo aparece referenciada como “Recezinhos de Ponte Ferreira???, tendo pertencido à Abadia do Convento de Vilela antes de passar para a alçada episcopal. Em 1836, no contexto das reformas administrativas liberais, foi integrada definitivamente no Concelho de Valongo, ao qual permanece ligada até hoje.

Acontecimentos Históricos Marcantes

Ao longo da sua história, Campo foi cenário de episódios marcantes da história nacional. Durante as Invasões Francesas, a freguesia sofreu os efeitos da ocupação militar, registando-se atos de violência e destruição.

Mais tarde, a 23 de Julho de 1832, o lugar de Ponte Ferreira tornou-se palco de uma das mais importantes batalhas das Guerras Liberais — a Batalha de Ponte Ferreira — travada entre as forças de D. Pedro IV e D. Miguel. O confronto, que envolveu cerca de 23 mil homens e se prolongou por mais de doze horas, marcou profundamente a memória histórica local.

Elevação a Vila e Evolução Administrativa

A povoação de Campo foi elevada à categoria de vila em 12 de Junho de 2001, reconhecimento do seu crescimento demográfico, económico e social.

Em 2013, no âmbito da reorganização administrativa nacional, a freguesia foi agregada à vizinha Sobrado, formando a União das Freguesias de Campo e Sobrado. Contudo, mais de uma década depois, em 2025, a autonomia administrativa foi restaurada, reafirmando a identidade própria da comunidade.

Situada a cerca de 2 km da sede do município de Valongo e a aproximadamente 12 km da cidade do Porto, Campo beneficia de uma localização estratégica. É atravessada pelo rio Ferreira, subafluente do Douro, elemento natural que ao longo dos séculos desempenhou um papel fundamental na economia local.

Economia e Desenvolvimento

A evolução económica de Campo pode dividir-se em três grandes fases históricas: a exploração do ouro, a moagem e panificação, e a exploração da ardósia.

A indústria da ardósia tornou-se, particularmente nos séculos mais recentes, uma das principais atividades económicas da freguesia, projetando o nome de Campo além-fronteiras. Conhecida internacionalmente como “Porto Slate???, esta pedra ornamental continua a ser um importante recurso local.

Para além da atividade mineira, destacam-se a indústria têxtil, a produção de mobiliário, a metalomecânica e a construção civil. O Parque Industrial de Campo, com cerca de 292 hectares, assume um papel estratégico na atração de investimento e na criação de emprego, beneficiando da proximidade à A4 e às principais infraestruturas da ??rea Metropolitana do Porto.

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Educação, Cultura e Associativismo

Campo possui uma rede educativa consolidada, incluindo estabelecimentos de ensino básico e secundário, bem como diversas instituições de apoio social.

A dinâmica cultural e associativa é uma das marcas da freguesia. A Banda Musical de S. Martinho, o Rancho Regional de Campo, os grupos dramáticos e recreativos, bem como as coletividades desportivas e culturais, desempenham um papel fundamental na preservação das tradições e na promoção da identidade local.

O artesanato, sobretudo na área da ardósia, mantém-se como elemento distintivo, enquanto outras artes tradicionais, como o linho, subsistem como memória de um passado rural.

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Património Histórico

O património edificado de Campo é testemunho vivo da sua longa história. A Igreja Matriz, construída no início do século XX com elementos da antiga igreja, conserva valiosos retábulos em talha dourada e azulejos históricos.

Destacam-se igualmente a Capela de Nossa Senhora da Encarnação, datada do século XV, as pontes medievais de Ponte Ferreira e Ponte de Luriz, os antigos moinhos hidráulicos e diversos núcleos rurais em xisto.

O padroeiro, S. Martinho, é celebrado a 11 de Novembro com o tradicional magusto, momento de convívio e afirmação da identidade comunitária.

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Identidade e Comunidade

Ao longo dos séculos, Campo construiu-se através do trabalho e da capacidade de adaptação da sua população. Terra de mineiros, moleiros, agricultores, comerciantes e industriais, soube transformar recursos naturais em oportunidades de progresso.

Hoje, mantendo traços rurais e simultaneamente características urbanas, Campo afirma-se como uma freguesia dinâmica, orgulhosa do seu passado e confiante no seu futuro, preservando a memória histórica enquanto continua a construir o seu caminho no contexto do concelho de Valongo e da ??rea Metropolitana do Porto.

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